Língua Portuguesa - Profa. Danielle
Exercícios complementares – O verbo
1. (UERJ, 2011. 1º E.Q)
Ler e crescer
Com a inacreditável capacidade humana de ter ideias, sonhar, imaginar, observar, descobrir, constatar, enfim, refletir sobre o mundo e com isso ir crescendo, a produção textual vem se ampliando ao longo da história. As conquistas tecnológicas e a democratização da educação trazem a esse acervo uma multiplicação exponencial, que começa a afligir homens e mulheres de várias formas. Com a angústia do excesso. A inquietação com os limites da leitura. A sensação de hoje ser impossível abarcar a totalidade do conhecimento e da experiência (ingênuo sonho de outras épocas). A preocupação com a abundância da produção e a impossibilidade de seu consumo total por meio de um indivíduo. O medo da perda. A aflição de se querer hierarquizar ou organizar esse material. Enfim, constatamos que a leitura cresceu, e cresceu demais.
Ao mesmo tempo, ainda falta muito para quanto queremos e necessitamos que ela cresça. Precisa crescer muito mais. Assim, multiplicamos campanhas de leitura e projetos de fomento do livro. Mas sabemos que, com todo o crescimento, jamais a leitura conseguirá acompanhar a expansão incontrolável e necessariamente caótica da produção dos textos, que se multiplicam ainda mais, numa infinidade de meios novos. Muda-se então o foco dos estudiosos, abandona-se o exame dos textos e da literatura, criam-se os especialistas em leitura, multiplicam-se as reflexões sobre livros e leitura, numa tentativa de ao menos entendermos o que se passa, já que é um mecanismo que recusa qualquer forma de domínio e nos fugiu ao controle completamente.
Falar em domínio e controle a propósito da inquietação que assalta quem pensa nessas questões equivale a lembrar um aspecto indissociável da cultura escrita, e nem sempre trazido com clareza à consciência: o poder.
Ler e escrever é sempre deter alguma forma de poder. Mesmo que nem sempre ele se exerça sob a forma do poder de mandar nos outros ou de fazer melhor e ganhar mais dinheiro (por ter mais informação e conhecer mais), ou sob a forma de guardar como um tesouro a semente do futuro ou a palavra sagrada como nos mosteiros medievais ou em confrarias religiosas, seitas secretas, confrarias de todo tipo. De qualquer forma, é uma caixinha dentro da outra: o poder de compreender o texto suficientemente para perceber que nele há várias outras possibilidades de compreensão sempre significou poder – o tremendo poder de crescer e expandir os limites individuais do humano.
Constatar que dominar a leitura é se apropriar de alguma forma de poder está na base de duas atitudes antagônicas dos tempos modernos. Uma, autoritária, tenta impedir que a leitura se espalhe por todos, para que não se tenha de compartilhar o poder. Outra, democrática, defende a expansão da leitura para que todos tenham acesso a essa parcela de poder.
Do jeito que a alfabetização está conseguindo aumentar o número de leitores, paralelamente à expansão da produção editorial que está oferecendo material escrito em quantidades jamais imaginadas antes, e ainda com o advento de meios tecnológicos que eliminam as barreiras entre produção e consumo do material escrito, tudo levaria a crer que essa questão está sendo resolvida. Será? Na verdade, creio que ela se abre sobre outras questões. Que tipo de alfabetização é esse, a que tipo de leitura tem levado, com que tipo de utilidade social?
ANA MARIA MACHADO
tudo levaria a crer que essa questão está sendo resolvida. Será?
O emprego da forma verbal “levaria” e a forma interrogativa que se segue – “Será?” – sugerem um procedimento argumentativo, empregado no texto.
Esse procedimento está explicitado em:
(A) a exposição de um problema que será detalhado
(B) a incerteza diante de fatos que serão comprovados
(C) a divergência em relação a uma ideia que será contestada
(D) o questionamento sobre um tema que se mostrará limitado
2. (ITA, 2003. Adaptada)
Quanto ao tempo verbal, é correto afirmar que, no texto abaixo,
João e Maria
Agora eu era herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além de outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e os seus canhões
Guardava o meu bodoque
Ensaiava o rock
Para as matinês (...)
Chico Buarque de Holanda
(A) a relação cronológica, no primeiro verso, entre o momento da fala e “ser herói” é de anterioridade.
(B) o pretérito imperfeito indica um processo concluído num período definido do passado.
(C) o pretérito imperfeito expressa uma ação passada não concluída e, no texto, é usado para instaurar um mundo imaginário, próprio do universo infantil.
(D) o tempo verbal predominante no texto é o pretérito perfeito.
(E) o pretérito imperfeito é um tempo verbal usado para exprimir cortesia.
3. (Unifesp, 2008)
Leia a notícia policial para responder à questão 3.
A polícia do Paraná está investigando três casos de doação ilegal de bebês no Estado, que teriam sido trocados pelos pais por material de construção, cestas básicas e uma casa. Os três casos envolvem a troca de quatro crianças.
O caso mais recente aconteceu no mês passado, em Campina Grande do Sul. Elizabete Souza Brandão, 18, entregou no dia 11 de maio a filha, nascida dois dias antes, para um casal de Santa Catarina, ainda não localizado ou identificado pela polícia. Elizabete está foragida e a polícia ainda não sabe onde está a menina nem tem pistas do casal que a levou.
Em outro caso, que aconteceu em abril, no município de Pontal do Paraná (litoral do Estado), Maria do Nascimento Silva, 38, entregou seu filho para Jurema Marcondes Frumento.
Jurema, segundo a polícia, intermediou uma negociação com um casal que teria levado a criança para Mato Grosso.
A mãe, Maria do Nascimento, disse à polícia que, em troca do bebê, receberia cestas básicas e uma casa em Pontal avaliada em R$ 13 mil. Ela mesma denunciou o caso à polícia porque, apesar de ter recebido as cestas, não ganhou a casa.
Jurema Frumento disse à Agência Folha que não ganhou nada com a negociação. Em seu depoimento, ela disse que seu objetivo foi ajudar Maria.
Folha de São Paulo, 10/06/1999
O texto acima cita uma investigação policial. Tendo em vista que essa investigação não estava concluída na época da publicação da notícia, o emprego da forma verbal “teriam”, no primeiro parágrafo, sugere que os casos investigados eram
(A) fantasiosos
(B) possíveis
(C) confirmados
(D) contraditórios
(E) idealizados
4. (UFPel, 2000. Adaptada)
O cineasta Cacá Diegues escreveu um artigo sob o título “O futuro passou”, no qual lança o desafio da possível construção de um novo Brasil. Desse texto, foi retirado o fragmento a seguir:
Para nós, durante a ditadura, o futuro, como tantos outros, estava apenas exilado temporariamente: ele voltaria nos braços da democracia restabelecida. Pensávamos naqueles tristes momentos, que, derrubado o muro da ditadura, ________________ de novo a estrada interrompida, ao longo do qual todos os problemas seriam resolvidos. Não sabíamos que o país ____________________ a inocência, para sempre. Se tivéssemos prestado mais atenção à história da Colônia, do Império, da República Velha, ________________ que o Brasil nunca foi muito diferente do que hoje é.
Assinale a alternativa que, de acordo como contexto, apresenta as formas verbais que completam as lacunas.
(A) encontraríamos – perdera – viríamos
(B) encontrássemos – perdeu – veríamos
(C) íamos encontrar – tinha perdido – havíamos visto
(D) encontraríamos – havia perdido – teríamos visto
(E) encontrássemos – perderia – viríamos.
Gabarito:
1. C
2. C
3. B
4. D
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